Tropecei nele na praia, hoje. Já não nos víamos há
um ano, talvez mais. Trocadas as primeiras palavras de acolhimento depressa nos
dispusemos a contabilizar o tempo a que nos havíamos livrado da ‘escravatura’
que foi o serviço activo. Então, à vez, cantando o céu alcançado com a
libertação, cada um de nós gritou o seu
alívio por esse apagar de memória que ambos supomos ter feito. Depois, como se
nos custasse a crer que o mundo tenha continuado a rodar sem o nosso precioso
contributo, os dois nos mostrámos descrentes de que os novos (que ocuparam os
nossos lugares) se mostrem capazes (ou até melhores) a fazer o que nós
fazíamos. No fundo somos o único animal que tendo consciência da falta que não
fazem nos comportamos como se fossemos únicos e insubstituíveis. É tão triste
isto. Tão triste que nestas alturas nem devia haver realidade que o prove. Nem
factos a torná-lo impiedoso.
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