quarta-feira, 27 de novembro de 2013

cemitério de hesitações

Quando vou ao cemitério não há vez nenhuma  que não me pergunte se o gajo (a ela a dúvida não se aplica) aprovaria aquelas  incursões. Chego lá, certifico-me se as lápides estão de pé. Se a areia não esbeiçou. Faço por ali uns segundos de retardamento  até que lhes oiça as vozes. Ora a um, ora a outro. Atento no que me dizem  (embora nunca  lhes responda)  e depois venho. No caminho trago sempre comigo a sensação de que podia ter feito tudo aquilo sem ter lá ido. À distância.  Enfim, fica por conta do prazer que extraio do aroma das flores de plástico. 

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