Encontrei-o no acaso
inesperado do passeio matinal que dedico às manhãs de sábado. Isto é, ele a
meio da sua caminhada diária, eu com destino à papelaria onde compro os jornais
e as revistas que me hão-de de preencher os momentos de lazer do fim de semana.
É mentira, eu sei, mas gosto sempre de acrescentar engano à ilusão de que tenho
momentos desses. Adiante. Saudações e cordialidades depois (daquelas de quem já
não se vi-a há muito), e já ele me falava de si. Sobretudo das doenças. Aquelas
do costume, a que a vida (ou a idade) nos condena com a fidelidade do cão que segue
o dono. Enumerou-as todas. Com pormenores que pareciam castigos, seguidos de detalhes que lhes aliviavam o sofrimento.
Tudo relatado com o mesmo colorido com que as tratou por namoradas. Até que, com
a promessa de um dia destes havermos de almoçar, cada um retomou o seu desígnio.
Ele ainda mais lesto, certamente animado pela pausa. Eu a vê-lo afastar-se, e a
invejar-lhe a intimidade com que exibe os achaques. A mesma que me leva a
tratar com reserva as maleitas que a mim me tolhem e me inibo de expor. Como se
fossem prostitutas pouco asseadas.
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