Estou de volta. Fui ver o Sr. Padre Mário ao
hospital. Adoeceu de repente. Assim, do nada. Não sei se foi castigo de deus.
Há punições iguais às dele por todo lado no quotidiano daquele piso. Na
enfermaria ao lado, disse-me ele, há cinco
ou seis. O mais velho tem doze anos, o mais novo apenas quatro. Sabê-lo fez-me
doer ainda mais a doença do Sr. Padre Mário. Quando me vinha embora apertei-lhe
a mão, com força. Como se quisesse dizer-lhe: coragem. Ele sorriu-me com os
seus olhos generosos. Ao mesmo tempo, levando a minha mão ao encontro dos seu
lábios, beijou-me a ponta dos dedos. Só depois, à medida que percorro o
corredor, percebo que levo comigo, no pensamento, aquele inesperado gesto. E só então, quando o elevador me deixa na cave, mesmo ao lado da máquina onde vou ter de introduzir
o cartão do parque de estacionamento, reparo que, do outro lado, entre o quiosque dos
jornais e o balcão dos seguranças, fica a capela. Um cubículo apertado, com três
bancos corridos, onde já cheguei a ouvir o Sr. Padre Mário falar de deus.
Talvez por isso, quem sabe, Ele lhe franqueie as portas do paraíso, agora que
parece já tê-lo chamado a fazer a viagem. Nisto, é o ruído metálico das moedas
que caem no fundo da máquina, que me desperta. Retire o bilhete, diz-me a voz
saída do seu interior, ao mesmo tempo que, no mostrador de vidro, onde antes se lia dois euros e vinte cêntimos, aparece agora obrigado pela visita.
Sem comentários:
Enviar um comentário