Já passava das duas da manhã quando parei de
escrever. Apaguei as luzes e fui espreitar a rua. As noites de domingo são
estranhamente sossegadas. O último som que retenho foi do autoclismo do andar
de cima. Depois, o correr de água no bidé. Rápido, quase urgente até. Devia
passar pouco da meia-noite. Não muito, uns minutos apenas. Num encadeado de
rituais de que não abrem mão (até nas horas a que corre água no bidé do andar de
cima), a rotina dos domingos é de uma sincronia assustadora. Quase pendular. Depois, a
afastar a recordação de que só vai voltar a ser domingo daqui a sete dias, fui à casa de
banho, fiz xixi, lavei as mãos e os dentes, enfiei-me na cama e não demorei a
adormecer.
Sem comentários:
Enviar um comentário