segunda-feira, 16 de março de 2015

vontade de atrasar os ponteiros ou parar o pêndulo

Já passava das duas da manhã quando parei de escrever. Apaguei as luzes e fui espreitar a rua. As noites de domingo são estranhamente sossegadas. O último som que retenho foi do autoclismo do andar de cima. Depois, o correr de água no bidé. Rápido, quase urgente até. Devia passar pouco da meia-noite. Não muito, uns minutos apenas. Num encadeado de rituais de que não abrem mão (até nas horas a que corre água no bidé do andar de cima), a rotina dos domingos é de uma sincronia assustadora. Quase pendular. Depois, a afastar a recordação de que só vai voltar a ser domingo daqui a sete dias, fui à casa de banho, fiz xixi, lavei as mãos e os dentes, enfiei-me na cama e não demorei a adormecer. 

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