sábado, 14 de março de 2015

o autoritário exercício do poder

Trânsito proibido

E eis que aquilo que ontem era intolerável hoje não passa de deslembrado olvido. Tal como se tornou punível o que antes era exigido que se apurasse. 

Bom, depois disto não sei o que seja melhor. Se cegar de vez ou conseguir evitar estes seres divinos que não podem ser olhados nos olhos.

Os funcionários das finanças possuem perfis de acesso às plataformas informáticas. Qualquer consulta que promovam, como é bom (e fácil) de ver, deixa um rasto sempre possível de apurar. Daqui resulta que, qualquer espécie de consulta, feita com propósitos de devassa, é e será sempre fácil de localizar, permitindo, quando caso disso, imputar aos seus mentores a inerentes responsabilidades disciplinares. Nada de mais até aqui. 

Contudo, extrair relação de todos quantos fizeram consultas APENAS A DETERMINADOS CONTRIBUINTES, e movendo-lhes perseguição considerá-los (em pacote) objecto de acção disciplinar, é conduta que já cai fora do propósito normativo. Sobretudo quando os responsáveis pela própria plataforma, confundindo autoridade com autoritarismo, a optimizam por forma a poder monitorizar 'no momento' quem ouse usá-la para consultas à protegida elite. Salta aos olhos que tal intuito, aqui ou no Turquemenistão, não possui outro escopo que não seja INTIMIDAR aqueles a quem se pede 'olhos atentos'. Avisá-los de que AQUI NÃO! ESTA LISTA SÃO CARTAS FORA DO BARALHO. E no entanto, a coisa é tão mais grave quanto é sabido que integram a dita lista muitas e exaltadas almas que, imagine-se, NEM SABIAM QUE TINHAM DE PAGAR. Isto, por muito que custe, é uma evidência a que não se pode fugir.

Em suma: ou mudamos de rumo ou um dia destes ainda nos privatizam a democracia. 

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