É possível que sob o filtro do disfarce não se dê disso conta
mas, senti-lo é já peso que baste. Dia após dia esgota-se-me o saldo da
paciência com que carreguei, até aqui, o maior flagelo do meu penoso dever de
ofício. O de suportar seres humanos azedos e de mal com a vida (até me custa chamar-lhes pares) que continuo a ver agredir, destratar, hostilizar todos
aqueles a quem devem respeito e a dignidade da consideração. E é sobretudo nestes momentos que penso que ainda
hoje não sei se foi justa a minha indiferença para com estas desprezíveis espécies,
ou se alguma vez sentirei paz por nunca ter sido aplicado castigo adequado a
tais faltas e a semelhante gentio. Uma dúvida adiada ao desejo que alimento - o
de ver-me só livre deste mal. No mais apenas anseio que venha a haver alguma
justiça para com semelhante injustiça.
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