A importância que tens é coisa que não será fácil de aferires se alguma vez te deixares levar
pela ilusão de que o teu lugar vago não será de imediato ocupado por
outro.
Ninguém faz a falta que julga fazer, onde quer que seja. E o melhor, o
melhor mesmo, é que aprendas depressa a lidar com isso, bem antes que seja a
vida a ter de o mostrar da forma mais inesperada que possas imaginar.
A importância que tens, o que vales verdadeiramente, deixará de ter peso
quando perceberes que outro qualquer fará o mesmo que tu. Não importa se mal ou
bem. O que interessa, àqueles que serves, é que alguém o continue a fazer.
Assim, por muito que seduza a ilusão de que
todos vão gostar de nós ou sentir-nos a falta. Nada compensará todo o esforço
que façamos para que nos aceitem como julgamos que somos, ou que nos achem
diferentes.
Valor mesmo, importância verdadeira, só tens para aqueles que te amem. Falo
de amor de verdade. Não de serviços mínimos ou teias de interesses.
Daí que, quanto
mais depressa souberes moldar o teu profissionalismo a essa realidade, mais
feliz virás a ser, maior a
paz que alcançarás e, acredita, mais
inexplicável te virá a parecer o contentamento que te espera.
Foi assim comigo, como já antes havia sido com imensos outros que
acompanhei em iguais experiências. Será assim com todos, no fundo. Mesmo com os
que achem ser diferentes.
Nada ilude tanto como a ideia de que a tua partida possa mudar o
essencial. Principalmente se o essencial é que alguém ocupe o teu lugar vazio e faça
(ou não) o que tu fazias.
O resto é a indiferença em que todos nós apodrecemos
num meio onde não existem pessoas, apenas funções.
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