terça-feira, 19 de agosto de 2014

em Agosto, raios o partam

O disjuntor da garagem disparou na nossa ausência.  Uma espécie de maldição. A arca e o frigorífico começaram a descongelar, depois de terem estado (pelo menos) dois dias sem alimentação. A isto já se chama azar. Decidido lá vou eu, no quadro geral, voltar a ligar tudo. Nada acontece, isto é, as luzes acendem e, sincronizados todos os aparelhos retomam o seu funcionamento. Mas, e se, por hipótese, foram as bombas de sucção das fossas, penso. A ser isso, não há como evitá-lo, a coisa passaria então para o domínio da desgraça. Accionar o seguro, chamar o electricista, orçamentos, relatórios.  Enfim, toda uma imensa quantidade de merdas que juntinhas justifiquem os quinhentos euros que vão ser pedidos por quem  se disponha a vir sujar as mãos ali (nem vos conto o mau hálito que elas exalam), a substituir uma bomba, a um domingo. Ainda assim, poder-se-ão dar graças já que não temos estado em casa, o que se traduz no pouco uso dos esgotos, caso o 'mal' seja mesmo na fossa das águas sujas. Já transpiro. A probabilidade é grande pois este mês de Agosto (ainda não vos disse)  a sorte tem-se recusado a viajar comigo. E ainda falta tanto mês. O melhor é esperar para ver.  Mas, voltando ao disjuntor. Levei mais de 8 dias a ganhar coragem. Finalmente, disponho-me a ir ver. Tampas fora (um suplício), lá consigo forçar, à vez, cada uma delas a trabalhar. Primeira fossa, tudo em ordem. Segunda fossa, idem. A palavra alegria acaba de ganhar outra cor. Peito feito, insuflado pelo ânimo da felicidade, dou uma breve passagem de ‘massa consistente’ nas tampas e ei-las recolocadas.  Então, ferramentas já arrumadas, lavo as mãos enquanto me olho ao espelho e concluo: não há dúvida, a vida é (é mesmo) feita de pequeninas alegrias. Como esta, quando um simples disjuntor dispara e nunca descobrimos porquê. Palavra de honra que estou realmente feliz. Em Agosto, apesar de tudo o resto. Raios o partam.

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