O disjuntor
da garagem disparou na nossa ausência.
Uma espécie de maldição. A arca e o frigorífico começaram a descongelar,
depois de terem estado (pelo menos) dois dias sem alimentação. A isto já se chama azar. Decidido lá vou eu, no quadro geral, voltar a ligar tudo. Nada
acontece, isto é, as luzes acendem e, sincronizados todos os aparelhos retomam
o seu funcionamento. Mas, e se, por hipótese, foram as bombas de sucção das fossas,
penso. A ser isso, não há como evitá-lo, a coisa passaria então para o
domínio da desgraça. Accionar o seguro, chamar o electricista, orçamentos,
relatórios. Enfim, toda uma imensa
quantidade de merdas que juntinhas justifiquem os quinhentos euros que vão ser
pedidos por quem se disponha a vir sujar
as mãos ali (nem vos conto o mau hálito que elas exalam), a substituir uma
bomba, a um domingo. Ainda assim, poder-se-ão dar graças já que não temos estado
em casa, o que se traduz no pouco uso dos esgotos, caso o 'mal' seja mesmo na
fossa das águas sujas. Já transpiro. A probabilidade é grande pois este mês de Agosto (ainda não vos disse) a sorte tem-se recusado a viajar comigo. E ainda falta tanto
mês. O melhor é esperar para ver. Mas,
voltando ao disjuntor. Levei mais de 8 dias a ganhar coragem. Finalmente,
disponho-me a ir ver. Tampas fora (um suplício), lá consigo forçar, à vez, cada
uma delas a trabalhar. Primeira fossa, tudo em ordem. Segunda fossa, idem. A palavra alegria acaba
de ganhar outra cor. Peito feito, insuflado pelo ânimo da felicidade, dou uma breve passagem de
‘massa consistente’ nas tampas e ei-las recolocadas. Então, ferramentas já arrumadas, lavo as mãos enquanto me olho ao espelho e concluo: não há dúvida, a vida é (é mesmo) feita de
pequeninas alegrias. Como esta, quando um simples disjuntor dispara e nunca descobrimos porquê.
Palavra de honra que estou realmente feliz. Em Agosto, apesar de tudo o resto. Raios
o partam.
Sem comentários:
Enviar um comentário