Como
é da condição humana tenho cometido inúmeros erros ao longo da vida. Ainda
assim, a nenhum deles posso atribuir a gravidade do irreparável que me tenha
impedido de os emendar. Diria até que a todos dediquei, por igual, a
indispensável atenção do reparo, a mesma que, mal ou bem, me oferece agora o
conforto de serem poucos (senão mesmo nenhuns) aqueles em que insisti ou deixei
para depois.
Uns
por terem sido escolhas erradas (a maioria), outros por resultarem do engano
puro e simples (do desengano também, uns quantos), e ainda (talvez bem menos
estes, porque cometidos voluntariamente), os que resultaram de asneiras que a
fortuna não permitiu que durassem mais do que o tempo das fugazes cegueiras.
Assim,
subindo a escada da paz contínua, cheguei há pouco ao patamar do viver em que
se torna difícil abdicar da felicidade que me rodeia e do bem estar que me dá o
facto de saber que foram ficando pelo caminho as ilusões e os tropeções que fui
tendo e dando.
Vai
daí, acalento agora a esperança de não mais insistir nos erros d’ alma (e de criaturas)
que entretanto fui aprendendo a distinguir e que, no momento em que
definitivamente os arrumo, sei bem apartar: de um lado o que é quimicamente puro, do outro, longe de mim, o que é contrafeito ou em
segunda mão.
É
por isso que, também só agora, à distância de quem comprovou que a paz só se
vislumbra e alcança depois de termos dado uma espreitadela no inferno, que me cumpre,
a uns e a outros, expressar o meu mais profundo e reconhecido agrado pela ajuda
que me deram a aqui chegar.
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