Cruzámo-nos na escada. Ao meu bom
dia nenhum deles respondeu. Pai, mãe, filhos. Não lhes levo a mal. Não
respondem nunca. A ninguém. É esse comportamento que lhes dá raça. Que lhe dá
pedigree. Isso e as marcas dos carros. Sempre as melhores. Como se o propósito
da escolha fosse uma forma de destaque. Fosse não, é mesmo. Percebe-se. De fuga
à mediania que os fere. De pompa. Se alguém aqui na rua se lembrar de comprar um da mesma
marca eles mudam. Trocam-nos porque sim (aos carros). Ignoram-me porque não (a mim). Porque não lhes
reconheço aquilo que eles tanto queriam. E, pior ainda, porque continuo a falar-lhes.
Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Não
espero que me devolvam a saudação. Faço-o só mesmo por saber que a minha
estratégia de polida educação os deixa possessos.
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