sábado, 9 de agosto de 2014

implacável irrelevância

Cruzámo-nos na escada. Ao meu bom dia nenhum deles respondeu. Pai, mãe, filhos. Não lhes levo a mal. Não respondem nunca. A ninguém. É esse comportamento que lhes dá raça. Que lhe dá pedigree. Isso e as marcas dos carros. Sempre as melhores. Como se o propósito da escolha fosse uma forma de destaque. Fosse não, é mesmo. Percebe-se.  De fuga  à mediania que os fere. De pompa. Se alguém aqui na rua se lembrar de comprar um da mesma marca eles mudam. Trocam-nos porque sim (aos carros). Ignoram-me porque não (a mim). Porque não lhes reconheço aquilo que eles tanto queriam. E, pior ainda, porque continuo a falar-lhes. Bom dia. Boa tarde. Boa noite.  Não espero que me devolvam a saudação. Faço-o só mesmo por saber que a minha estratégia de polida educação os deixa possessos. 

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