sábado, 28 de junho de 2014

a idade obriga-me a ir rarefazendo os gostos

Não sei quem é José Micard Teixeira (o autor da citação ut infra) , ou por outra, devo saber dele o mesmo que o senhor sabe de mim. Isto é, nada. Isso é óptimo, pois permite-me usar aqui as suas palavras sem dar lugar aquele sentimento de dívida própria dos palermas. Ou seja, cito-as porque me revejo nelas. Apenas e só.  Ah, e também por elas reproduzirem de forma tão intensamente visual o que eu levaria umas quantas  folhas de prosa para vos dizer. Elas aí estão, dolorosamente presentes, valendo por explicação às dúvidas que possam haver.


«Já não tenho paciência para algumas coisas, não porque me tenha tornado arrogante, mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não me apetece perder mais tempo com aquilo que me desagrada ou fere. Já não tenho pachorra para cinismo, críticas em excesso e exigências de qualquer natureza. Perdi a vontade de agradar a quem não agrado, de amar quem não me ama, de sorrir para quem quer retirar-me o sorriso. Já não dedico um minuto que seja a quem me mente ou quer manipular. Decidi não conviver mais com pretensiosismo, hipocrisia, desonestidade e elogios baratos. Já não consigo tolerar eruditismo selectivo e altivez académica. Não compactuo mais com bairrismo ou coscuvilhice. Não suporto conflitos e comparações. Acredito num mundo de opostos e por isso evito pessoas de carácter rígido e inflexível. Desagrada-me a falta de lealdade e a traição. Não lido nada bem com quem não sabe elogiar ou incentivar. Os exageros aborrecem-me e tenho dificuldade em aceitar quem não gosta de velhos ou de animais. E, acima de tudo, já não tenho paciência nenhuma para quem não merece a minha paciência.»

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