Não
sei quem é José Micard Teixeira (o autor da citação ut infra) , ou por
outra, devo saber dele o mesmo que o senhor sabe de mim. Isto é, nada. Isso é
óptimo, pois permite-me usar aqui as suas palavras sem dar lugar aquele
sentimento de dívida própria dos palermas. Ou seja, cito-as porque me revejo
nelas. Apenas e só. Ah, e também por
elas reproduzirem de forma tão intensamente visual o que eu levaria umas
quantas folhas de prosa para vos dizer. Elas
aí estão, dolorosamente presentes, valendo por explicação às dúvidas que possam
haver.
«Já
não tenho paciência para algumas coisas, não porque me tenha tornado arrogante,
mas simplesmente porque cheguei a um ponto da minha vida em que não me apetece
perder mais tempo com aquilo que me desagrada ou fere. Já não tenho pachorra
para cinismo, críticas em excesso e exigências de qualquer natureza. Perdi a
vontade de agradar a quem não agrado, de amar quem não me ama, de sorrir para
quem quer retirar-me o sorriso. Já não dedico um minuto que seja a quem me
mente ou quer manipular. Decidi não conviver mais com pretensiosismo,
hipocrisia, desonestidade e elogios baratos. Já não consigo tolerar eruditismo
selectivo e altivez académica. Não compactuo mais com bairrismo ou
coscuvilhice. Não suporto conflitos e comparações. Acredito num mundo de
opostos e por isso evito pessoas de carácter rígido e inflexível. Desagrada-me
a falta de lealdade e a traição. Não lido nada bem com quem não sabe elogiar ou
incentivar. Os exageros aborrecem-me e tenho dificuldade em aceitar quem não
gosta de velhos ou de animais. E, acima de tudo, já não tenho paciência nenhuma
para quem não merece a minha paciência.»
Sem comentários:
Enviar um comentário