quarta-feira, 11 de junho de 2014

reacção vagal

Não conhecia, foi uma novidade para mim. Acho que nunca tive. Não, nunca devo ter tido. Começa por se perceber a carne do rosto a tornar-se máscara (feita de gesso) e, depois, tremelicamos um bocadinho, olhamos o rosto de quem nos ampara (com surpresa, é importante que se mostre sempre alguma surpresa). Sim, não vá o conchego ser uma forma de nos levar a carteira. 

Depois, à medida que nos sentimos rodeados de assistência, vamos tomando aquela postura de ‘cadeirinha’. Uma mão em modo ‘travadinha’ e o resto do esqueleto rígido como uma tábua. Como quando eramos infantis e jogávamos ao ‘rei-manda’, estão lembrados? Fitamos o olhar naquele presente vago (de vagal) que costumamos emprestar às pessoas com quem de vez em quando trocamos esgares, palavras de cortesia e as  banalidades do costume. E rezamos para que nos depositem algures por ali, de preferência acima do chão, num local que faça pendant com a nossa condição, mesmo vagal que seja.


 Feito isto, é esperar que nos tragam a água (leva entre 5 minutos e meia-hora) aproveitar o tempo para localizar, por exemplo na Wikipédia, um nome que explique o que sentimos (lá está o vagal da coisa, puta de palavra).  De preferência que ninguém saiba o que significa. E, finalmente, encontrar alguém credível para passar a notícia do  nosso restabelecimento. Pode até dizer que  nunca perdemos a consciência, não faz mal e, no meio daquela confusão, haverá sempre quem acredite que a tínhamos. 

Bom, eu por mim juro já aqui, que se um dia tiver uma reacção destas, podem ficar descansados, não ressuscitarei.  

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