Não conhecia, foi uma novidade para mim. Acho que nunca tive.
Não, nunca devo ter tido. Começa por se perceber a carne do rosto a tornar-se
máscara (feita de gesso) e, depois, tremelicamos um bocadinho, olhamos o rosto
de quem nos ampara (com surpresa, é importante que se mostre sempre alguma
surpresa). Sim, não vá o conchego ser uma forma de nos levar a carteira.
Depois, à medida que nos sentimos rodeados de assistência, vamos tomando aquela
postura de ‘cadeirinha’. Uma mão em modo ‘travadinha’ e o resto do esqueleto
rígido como uma tábua. Como quando eramos infantis e jogávamos ao ‘rei-manda’,
estão lembrados? Fitamos o olhar naquele presente vago (de vagal) que
costumamos emprestar às pessoas com quem de vez em quando trocamos esgares,
palavras de cortesia e as banalidades do
costume. E rezamos para que nos depositem algures por ali, de preferência acima
do chão, num local que faça pendant com a nossa condição, mesmo vagal que seja.
Feito isto, é esperar que nos tragam a água
(leva entre 5 minutos e meia-hora) aproveitar o tempo para localizar, por
exemplo na Wikipédia, um nome que explique o que sentimos (lá está o vagal da
coisa, puta de palavra). De preferência que ninguém saiba
o que significa. E, finalmente, encontrar alguém credível para passar a notícia
do nosso restabelecimento. Pode até
dizer que nunca perdemos a consciência, não faz mal e, no meio daquela confusão,
haverá sempre quem acredite que a tínhamos.
Bom,
eu por mim juro
já aqui, que se um dia tiver uma reacção destas, podem ficar descansados, não
ressuscitarei.
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