Para que conste, não tenho uma única
tatuagem. Sei que isso, nos tempos que correm, pode até parecer-vos uma
excentricidade, mas quero lá saber. Mesmo que muitos de vós estejam já aqui a
aferir do meu atraso em relação à modernidade, ou isso me confira até um
estatuto de ‘diferente’, estou pouco importado com o assunto. E nem sequer o
facto de não ter doado um único milímetro da minha estimada pele à causa tattoo,
o que faz de mim um farol (em laboração) nos balneários da piscina que frequento,
me consegue converter a semelhante atitude. Ainda assim, e para sossego das
partes que aqui possa ter escandalizado, sempre vos digo que, fosse eu seguidor
da seita, e o design que escolheria seria o símbolo da monarquia. Não sei
explicar porquê, mas mexe comigo. E olhem que nada tem a ver com a Letícia, que por sinal até acho uma
escanzelada de causar dó. Talvez seja antes pela expressão que tanto admiro: o rei vai nu. Por poder simbolizá-la
assim, tout court. É por isso, afinal, concluo agora . E, se não fosse possível,
em alternativa, escolheria o ferro dos irmãos Palha. Uma escolha determinada
pelo meu apurado instinto de rebanho. Se há coisa que detesto é sentir que
tresmalhei. E sinto-o tantas vezes. Tantas. Esta foi só mais uma.
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