quinta-feira, 19 de junho de 2014

tresmalho

Para que conste, não tenho uma única tatuagem. Sei que isso, nos tempos que correm, pode até parecer-vos uma excentricidade, mas quero lá saber. Mesmo que muitos de vós estejam já aqui a aferir do meu atraso em relação à modernidade, ou isso me confira até um estatuto de ‘diferente’, estou pouco importado com o assunto. E nem sequer o facto de não ter doado um único milímetro da minha estimada pele à causa tattoo, o que faz de mim um farol (em laboração) nos balneários da piscina que frequento, me consegue converter a semelhante atitude. Ainda assim, e para sossego das partes que aqui possa ter escandalizado, sempre vos digo que, fosse eu seguidor da seita, e o design que escolheria seria o símbolo da monarquia. Não sei explicar porquê, mas mexe comigo. E olhem que nada tem a ver  com a Letícia, que por sinal até acho uma escanzelada de causar dó. Talvez seja antes pela expressão que tanto admiro: o rei vai nu. Por poder simbolizá-la assim, tout court. É por isso, afinal, concluo agora . E, se não fosse possível, em alternativa, escolheria o ferro dos irmãos Palha. Uma escolha determinada pelo meu apurado instinto de rebanho. Se há coisa que detesto é sentir que tresmalhei. E sinto-o tantas vezes. Tantas. Esta foi só mais uma. 

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