sábado, 28 de dezembro de 2013

desgosto e alívio

Deixei por aí perdida, talvez presa num qualquer ponto da minha memória, a recordação do tempo em que trabalhava com prazer. Em que extraía desse prazer uma vasta gama de outros agrados. Quase arriscaria dizer que não me recordo de alguma vez ter ido trabalhar  com outra disposição que não fosse de satisfação (estúpida satisfação, eu sei!). Daquelas próprias de quem faz o que gosta gostando do que faz. Porém, volvidos quase 40 anos desta prática, deparo-me agora com uma nova sensação. A que resulta dos meus dois últimos anos de actividade profissional, prestes a vencerem-se. Foram eles que me trouxeram até este estado de espírito (ou de inutilidade) em que ora me encontro, padecendo a cada minuto que ali passo (no local de trabalho) sem que o alívio do fim alguma vez chegue.  Dois anos vividos sob a égide do pior por acontecer. Em que os segundos ganharam  a lentidão de horas e os dias o efeito do tormento por transpor. E, sobretudo,  em que o amanhã se torna, já de véspera, bem pior do que imaginar se possa.  É por isso que hoje, já dou comigo a sonhar muito mais com o regresso a casa do que com a partida, de manhã. É também por isso que se tornou enorme o anseio pela libertação deste pesadelo e de todo aquele passado que a indignidade esgotou e que cada vez mais se reflecte na má qualidade do serviço prestado.         

Sem comentários: