Temos cá em casa uma pia baptismal. Coisa
sóbria de exibir, que por isso mesmo não merece mais que o recato do canto
sombrio onde se acolhe. Raramente – e sublinho que é muito raramente mesmo - a
usamos. Meia dúzia de vezes, sei lá! Talvez nem tantas. Foi usada quase sempre
naqueles solenes momentos em que a corte reuniu para abençoar um/a qualquer
feliz carecido de ser cognominado. Ora, é aí, a esse acto há tanto não praticado
(sinal de que temos andado afastados do aviário, das aves e das aventesmas) que
fui hoje buscar o último título concedido a sua alteza real, o sapo príncipe.
Naquela noite, reunido o conselho consultivo dos títulos, denominações, rótulos
e outros letreiros. Sentados em volta da imagem e das interacções do frívolo e
barrigudo ser, foi o mesmo principescamente coroado pela régia denominação de
Taco de Pia. Daquele acto, que tantas e tão hilariantes saudades nos deixou,
foi lavrado termo, assento e pública forma. É assim, verdade seja dita, que
sendo tão raras tais solenidades são também cirurgicamente apontadas, fazendo
jus ao que nos diverte cumpri-las.

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