Revejo-me na opinião do JRC
sobre‘amigos’. Mais
ainda por que lê-lo me traz à memória alguns que me atravessaram a vida.
Poucos. Uns, que me deixaram vagamente desapontado, outros, que nem isso.
Verdade se diga não mais que meia dúzia sobreviveu ao tempo. E desses, quase
nenhum vindo das verduras da adolescência. Destaque mesmo, merecem os que me
surpreenderam, não pela merda (leia-se, fraude) de pessoas que eram, mas pela
forma virtuosa e sã de nada esperar em troca do que traziam. Dois ou três. Não
houve mais. Diverte-me, no entanto, que tantos pensem caber nesse
reduzido número. Como se, na sua opinião, a amizade fosse isso, de não saberem
sequer de que males padecem e onde apertam as necessidades dos que julgam ter
como amigos. O pior (pior mesmo) é que a amizade não é um serviço. Talvez por
isso, às vezes, a simpatia pareça amizade. Talvez por isso, se possam
enganar algumas pessoas durante todo o tempo, e todas as pessoas durante algum
tempo. Agora, o que não é nada fácil é enganar todas as pessoas o tempo todo.
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