Assim
como quem não quer dizer o que diz, ouvi-lhe eu, dirigindo-se ao seu
interlocutor , que ‘aquilo também não havia de ser nada de especial’.
‘Que diabo!’ acrescentou no final, com exclamação
e tudo.
Foi então aí que eu lhe dei razão. De facto,
não andava longe da verdade, a coisa não era mesmo nada de especial.
Eu
diria até mais, que assim de memória não me lembro de alguém a quem tivesse
parecido ser árdua a tarefa, quando olhada assim, de longe e de viés.
Depois,
não muito depois, é que a faina lhes tira o sono. E tira-lhes tudo o resto. A
paz, o tempo, a serenidade. Tudo. Dia
após dia, num tormento que não alivia, que não cessa de crescer. Deita-se e acorda
connosco. Numa fidelidade que parece mentira.
Então
sim, então é que o ofício ganha relevo. É nessa altura, por vezes já tarde demais,
que a frase se reformula: ‘aquilo também
não é nada de especial, se for feito por quem saiba, que diabo!’
E
o pior é isso mesmo. É que não será.
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