quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

o inferno servido em bandeja cintilante

Assim como quem não quer dizer o que diz, ouvi-lhe eu, dirigindo-se ao seu interlocutor , que ‘aquilo também não havia de ser nada de especial’.

‘Que diabo!’ acrescentou no final, com exclamação e tudo.

Foi então aí que eu lhe dei razão. De facto, não andava longe da verdade, a coisa não era mesmo nada de especial.

Eu diria até mais, que assim de memória não me lembro de alguém a quem tivesse parecido ser árdua a tarefa, quando olhada assim, de longe e de viés.

Depois, não muito depois, é que a faina lhes tira o sono. E tira-lhes tudo o resto. A paz, o tempo, a serenidade. Tudo.  Dia após dia, num tormento que não alivia, que não cessa de crescer. Deita-se e acorda connosco. Numa fidelidade que parece mentira.  

Então sim, então é que o ofício ganha relevo. É nessa altura, por vezes já tarde demais, que a frase se reformula:  ‘aquilo também não é nada de especial, se for feito por quem saiba, que diabo!’


E o pior é isso mesmo. É que não será.  

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