segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

o que tenho de sobra

Ligado à máquina vou afinando a mão. Terá ela afinamento?  Vou burilando a pedra do saber até que nela se consiga perceber a escrita. Não será isso ambição a mais?  (Talvez, logo se vê.)  Um ano ou dois, já houve alturas em que três, e entrego-o ao abandono. Como quem tem pela frente um deserto a atravessar. Um desvio de nada. Uma saída de estrada. Para depois, já amanhã ou daqui uns meses, sei lá, retomar a viagem por outras letras. Afinando a mão de novo. Satisfazendo o que tenho de sobra. Necessidade. Desprezando o que tenho a menos. Aptidão.

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