terça-feira, 30 de setembro de 2014

o lugar

É um daqueles como há poucos, capaz de nos mudar o conceito de paz mais depressa do que a chegada ao fim da viagem no 109 para a Falagueira. O silêncio roça o absoluto, aqui e ali emoldurado pela sinfonia dos passarinhos, ao fim da tarde, no frenesim do regresso aos ninhos. Da varanda para a serra testemunha-se a soberba vista do encontro do céu com o dorso verde das escarpas. Finalmente, como se não fosse já bastante, junta-se a todo este encanto feito de coisas simples, o genuíno aroma do campo. Em suma: a beleza é tanta e tal que usufrui-la tão pouco, como me está a acontecer nos últimos tempos, é o sinal evidente do revés existencial em que tenho vivido. Ainda hoje me custa a crer. 

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