É
um daqueles como há poucos, capaz de nos mudar o conceito de paz mais depressa
do que a chegada ao fim da viagem no 109 para a Falagueira. O silêncio roça o
absoluto, aqui e ali emoldurado pela sinfonia dos passarinhos, ao fim da tarde,
no frenesim do regresso aos ninhos. Da varanda para a serra testemunha-se a soberba
vista do encontro do céu com o dorso verde das escarpas. Finalmente, como se não
fosse já bastante, junta-se a todo este encanto feito de coisas simples, o genuíno
aroma do campo. Em suma: a beleza é tanta e tal que usufrui-la tão pouco, como
me está a acontecer nos últimos tempos, é o sinal evidente do revés existencial
em que tenho vivido. Ainda hoje me custa a crer.
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