Até hoje só fui mordido duas
vezes, por dois cães. Uma delas tinha eu acabado de fazer festas ao bicho (um
pastor alemão) quando, dois passos à frente, lhe senti os dentes nas costas. Não estava
vacinado, foi recolhido pelo canil municipal, tive de levar dúzias de injecções
de penicilina. O outro, tratou-se dum amigo de longa data cujo nome esqueci (é mentira, claro, mas dá gosto dizê-lo), com
quem tinha andado a estudar na adolescência. Estava vacinado, bastou enxotá-lo. Jurei a mim mesmo nunca mais confiar assim em
ninguém. Nem nos seres racionais. Tenho-me dado bem, confesso.

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