domingo, 5 de outubro de 2014

preços (1)



Há sons que reconheço à légua. Alguns deles, muitos, sobraram-me da infância, como o inconfundível assobiar do meu pai, a vozita da minha filha aos 3 anos (quando a seu lado me sentava para a adormecer),  ou a metálica sonância característica  da campainha lá de casa. Esses, e mais uns quantos, retenho-os como um sonho inesquecível.  Nasceram comigo e comigo hão-de ficar. Porém, outros há a que o meu ouvido mal se tem habituado. Seja porque mudam frequentemente ou somente por não serem do meu agrado. De todos estes últimos o da falsidade - o soar a falso - é o som que ocupa o primeiro lugar no meu ranking do ruído. O que me sai mais caro. De facto, malgrado existam outros tantos que não me foram fáceis esquecer, este é daqueles cujo preço me tem custado a alma a pagar. Talvez por com ele continuar a lidar no dia-a-dia. De máscara enterrada na carne do rosto continuam a ser muitos os que me abraçam quando precisam e que, depois de servidos, se ficam pela foto no local destinado aos amigos nas redes sociais. Ou nem isso.  

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