Há sons que reconheço à légua.
Alguns deles, muitos, sobraram-me da infância, como o inconfundível assobiar do
meu pai, a vozita da minha filha aos 3 anos (quando a seu lado me sentava para
a adormecer), ou a metálica sonância
característica da campainha lá de casa.
Esses, e mais uns quantos, retenho-os como um sonho inesquecível. Nasceram comigo e comigo hão-de ficar. Porém,
outros há a que o meu ouvido mal se tem habituado. Seja porque mudam
frequentemente ou somente por não serem do meu agrado. De todos estes últimos o
da falsidade - o soar a falso - é o som que ocupa o primeiro lugar no meu ranking do ruído. O que me
sai mais caro. De facto, malgrado existam outros tantos que não me foram fáceis
esquecer, este é daqueles cujo preço me tem custado a alma a pagar. Talvez por
com ele continuar a lidar no dia-a-dia. De máscara enterrada na carne do rosto
continuam a ser muitos os que me abraçam quando precisam e que, depois de
servidos, se ficam pela foto no local destinado aos amigos nas redes sociais.
Ou nem isso.

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