Há pouco, estava eu ali a ser
parvinho numa gaveta do facebook, objectivo que, aliás, atinjo com
relativa facilidade, quando o tema em discussão me fez pensar em algo que nunca
antes me ocorrera. Trata-se do acto de oferecer flores à esposa. Com efeito, o
raciocínio a que cheguei, que por sinal não me
parece totalmente destituído de probabilidade, é que estamos perante um gesto
carregado de futuro. Ora, se levarmos em conta que o futuro não é mais do que um monte de expectativas, afigura-se-me que devia
estar aqui fortemente condicionado o prazer que a esposa sente sempre que as
recebe. Ou não? O entendimento é este:
há sempre uma legítima expectativa no marido que as oferece. (Não digam que
não, bemmmmmm…) E, pior que isso é que se trata de uma expectativa de localizada esperança. Ah, pois é! Um gesto em que se manifesta um sonho tão nítido e
detalhado quanto a vontade de o vermos realizado. Posto isto, bateu-me forte a
convicção de que não deviam entregar-se a grandes regozijos as contempladas esposas. Eu se fosse a elas
valorizava tanto mais o gesto quanto maior fosse a distância que separe o
casal. Ela em Vila Nova do Coito (Faro) e ele em Venda da Gaita (Pedrógão
Grande). É que, de contrário, protegido pelas desculpas que antecipo quanto ao
uso da linguagem que aí vem, sinto o momento remetido para aquele registo de
humor (vulgo anedota) das duas vizinhas que conversam à janela do oitavo andar,
quando o marido de uma delas, acabado de estacionar o carro, a leva a dizer à
outra: olha! vem ali o meu homem e hoje traz-me um ramo de flores, já vi que logo vou ter de
‘abrir-as-pernas’ (não liguem à expressão que, sem talento nem aptidões
intelectuais bastantes, tive de ir roubar ao repertório do Quim Barreiros); o
que leva a que a amiga lhe pergunte de imediato: então porquê vizinha, não tem
jarras em casa?
Enfim, esqueçam esta miséria (que acabam de ler) e esqueçam também aquela que nos espera no
Orçamento para 2015, que, (digo-vos eu)
parece uma coisa mas é outra, bem pior. Decididamente vou ter mesmo de
aumentar a medicação. Ponho-me para aqui a escrever com mais alegria do que
dignidade e o resultado é este. Não consigo estancar a verborreia. Desculpem.
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