Confusão
que me faz esta coisa das pessoas dizerem que fizeram as suas opções, denunciarem
aquilo a que chamam as suas preferências, as suas escolhas em suma. A ideia com que fico é que boa parte delas arrasta
nisso os enganos de uma vida inteira. E, muito em particular, fazem-no sem dar
conta de que já são poucas, quase nenhumas, as ditas selecções em que tenha pesado a
sua determinação. No esplendor dos tempos que correm são raras as competências em
que somos nós a escolher, é-se escolhido. Muitas vezes, até sem chegarmos sequer a percebê-lo. Sinto muito se estou a decepcioná-los, mas é assim. Isto, claro, quando não se é dispensado. Em regra, por manifesta (e absoluta) falta de jeito. Ou de correspondência, sei lá
eu!? Como está em voga dizer-se, não há lugar para segundas oportunidades.
Ora,
daqui retiro eu a conclusão de que:
Tudo o que a vida nos dá é um certo enriquecimento, a que chamamos experiência pessoal, o qual, independentemente do contexto de onde provenha, e por mais amarga que seja tão trágica ironia, nos chega sempre tarde de mais. Tarde de mais.
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