Sinto-me
um pobre palerma apanhado dos restos do mundo. Sim, é verdade, sinto mesmo. O
que me salva é a indiferença. O olhar em volta e concluir que estou só. Os
outros não me fazem companhia. Não assinam por baixo. Não aplaudem. Não escorre
aquela untuosidade peculiar. A falsa gentileza. A intimidade que não se ajusta.
Como diz um bom amigo que nestas coisas me faz uma companhia de cão: seria
muito difícil arranjar melhor que isto. E eu, a fazer fé na sua conduta, feita
mais de amizade do que de serviços prestados, acredito nele tanto quanto na sua
franqueza e lisura. Portanto, deixo para os apreciadores os elogios feitos de
piedosas mentiras. Só assim consigo sentir a verdade dos abraços.
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