Com um dia de chuva e uma tarde
livre pela frente que mais podia eu fazer? Bom, talvez que companhia ao meu
neto, na sesta que dormia, não tivesse sido má alternativa. Porém, escolhi
outra. Esta. Quer dizer, esta e mais uma
ou duas também elas revestidas a letras, palavras e frases. Uma desgraça, dirão
vocês. Um bálsamo, digo eu. Logo aqui (à partida) estamos longe de acordo, temos o romance estragado, mas
adiante. Folhas a postos (mentira), lápis a jeito (outra), a mão ainda de pedra
e já as ideias em aperto à saída do funil da imaginação. Houve mesmo que distribuir
senhas. Ordená-las. Número um. Número dois, Por aí fora. Eu a fazer o casting
temático. A escolher dos melhores o pior. Como quem põe o obstáculo à altura de
quem o vai transpor. Saiu-me a tal que se diz jornalista. Pobre escolha. Ainda
que, pelo menos isso, fique a vantagem da barreira ao nível do chão com a
escolha de tal tema. Pouco mais que um degrau. Coisa baixa, portanto. Então,
cheia de si mesma, com um rol de causas prontas a aviar, indigna-se a
sumidade contra os anónimos da rede, a
quem a sua estação, pelo meio das misérias que difunde, nos intervalos do lixo
a que se vende, move guerra de perseguição. Pelo caminho, na esperança de que não se note,
usa o seu prepotente poderzinho, por detrás do qual se acoita, para bloquear o
acesso aos que a defrontem nas ideias de merda (perdão, de
porcaria) que espalha. Distribui
‘likezinhos’ aos que a aplaudem, e só a esses, em troca de vê-los bater-lhe
palmas apelando à utilização cívica dos espaços
públicos. Eleva-se no ar e mostra-nos (mostra-nos bem) que combate
afinal o gentio da sua laia? Nada. Mostram-se apenas. Reclamam a exclusividade
da exposição. Apreciações
à parte, esperam que lhe sejam reconhecidos dotes. Ou, na sua falta, a
superioridade, por exemplo. Ou isso ou és bloqueado. Tratado como um excluído
do alinhamento. Busca-se um rótulo, seja lá o que for, e esse és tu. Sou eu. Mesmo
que o letreiro não assente bem, pouco importa. Retiram-te o acesso à lama. Proclamam
assim o absolutismo da sua verdade. Uma espécie de profissional competente, mas
em medíocre. Farsola mesmo. Um sub-produto da mais fraquinha qualidade. A
jornalista.
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