sexta-feira, 10 de outubro de 2014

a jornalista

Com um dia de chuva e uma tarde livre pela frente que mais podia eu fazer? Bom, talvez que companhia ao meu neto, na sesta que dormia, não tivesse sido má alternativa. Porém, escolhi outra. Esta.  Quer dizer, esta e mais uma ou duas também elas revestidas a letras, palavras e frases. Uma desgraça, dirão vocês. Um bálsamo, digo eu. Logo aqui (à partida) estamos longe de acordo, temos o romance estragado, mas adiante. Folhas a postos (mentira), lápis a jeito (outra), a mão ainda de pedra e já as ideias em aperto à saída do funil da imaginação. Houve mesmo que distribuir senhas. Ordená-las. Número um. Número dois, Por aí fora. Eu a fazer o casting temático. A escolher dos melhores o pior. Como quem põe o obstáculo à altura de quem o vai transpor. Saiu-me a tal que se diz jornalista. Pobre escolha. Ainda que, pelo menos isso, fique a vantagem da barreira ao nível do chão com a escolha de tal tema. Pouco mais que um degrau. Coisa baixa, portanto. Então, cheia de si mesma, com um rol de causas prontas a aviar, indigna-se a sumidade  contra os anónimos da rede, a quem a sua estação, pelo meio das misérias que difunde, nos intervalos do lixo a que se vende, move guerra de perseguição.  Pelo caminho, na esperança de que não se note, usa o seu prepotente poderzinho, por detrás do qual se acoita, para bloquear o acesso aos que a defrontem nas ideias de merda (perdão, de porcaria)  que espalha. Distribui ‘likezinhos’ aos que a aplaudem, e só a esses, em troca de vê-los bater-lhe palmas apelando à utilização cívica dos espaços  públicos. Eleva-se no ar e mostra-nos (mostra-nos bem) que combate afinal o gentio da sua laia? Nada. Mostram-se apenas. Reclamam a exclusividade da exposição. Apreciações à parte, esperam que lhe sejam reconhecidos dotes. Ou, na sua falta, a superioridade, por exemplo. Ou isso ou és bloqueado. Tratado como um excluído do alinhamento. Busca-se um rótulo, seja lá o que for, e esse és tu. Sou eu. Mesmo que o letreiro não assente bem, pouco importa. Retiram-te o acesso à lama. Proclamam assim o absolutismo da sua verdade. Uma espécie de profissional competente, mas em medíocre. Farsola mesmo. Um sub-produto da mais fraquinha qualidade. A jornalista.

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