Há coisas que, mesmo nascidas de
uma apurada intuição de penitência, nem sempre consigo digerir. Ou, pelo menos,
dizer que não consigo já me aquieta que chegue. Uma delas (há muitas) é este
vício avassalador, que carrego desde os idos anos da minha adolescência, de
preferir trabalhar 10 horas seguidas, em regime ‘non stop’, para acabar uma
tarefa que tenho pela frente, a permitir que a empreitada se arraste, dias e
dias, em modo ‘um-bocado-agora-o-resto-depois-logo-se-vê-quando’. Mesmo que,
diga-se, se tratem de coisas que nada acrescentem ao trabalho que dão e cujo
resultado final (fisicamente falando) seja trágico, como de resto é o caso. Na
verdade, o desfecho que advém do cumprimento do ajuste que comigo mesmo tinha
feito, supera em satisfação quer as algias da região lombar quer as nódoas negras que me decoram as
bimbas, efeito de tantas horas sentado. Assim sim, vale a pena. Morto mas com o
dever cumprido.
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