terça-feira, 14 de outubro de 2014

deitei-me ao trabalho e saiu-me isto.

Há coisas que, mesmo nascidas de uma apurada intuição de penitência, nem sempre consigo digerir. Ou, pelo menos, dizer que não consigo já me aquieta que chegue. Uma delas (há muitas) é este vício avassalador, que carrego desde os idos anos da minha adolescência, de preferir trabalhar 10 horas seguidas, em regime ‘non stop’, para acabar uma tarefa que tenho pela frente, a permitir que a empreitada se arraste, dias e dias, em modo ‘um-bocado-agora-o-resto-depois-logo-se-vê-quando’. Mesmo que, diga-se, se tratem de coisas que nada acrescentem ao trabalho que dão e cujo resultado final (fisicamente falando) seja trágico, como de resto é o caso. Na verdade, o desfecho que advém do cumprimento do ajuste que comigo mesmo tinha feito, supera em satisfação quer as algias da região lombar  quer as nódoas negras que me decoram as bimbas, efeito de tantas horas sentado. Assim sim, vale a pena. Morto mas com o dever cumprido.

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