sexta-feira, 3 de outubro de 2014

há fogo!


E o fogo pegado, como era de prever (e esperado), ao bombeiro levou que se gritasse.  Uma vez, duas,  e até três. Que nada, não atende. Insistindo e repetindo, o lume a arder e o bombeiro que não responde. Coisa insólita. Se desde Março já são dezenas as fogueiras extintas!?  Se desde então, todos os santos meses,  cinco ou seis descontando aqueles em que foram dezasseis?!  O que se passa agora que isto vai tudo a eito, devorado pelas labaredas da indiferença, na combustão que o vento a favor do desinteresse há tanto anunciava? Nada a fazer.  A não ser que, talvez, quem sabe, nos atendam num outro quartel.  Ligo já, decidiu-se então,  determinada,  a voz de comando. E, enquanto isso, aconchegando a tardia precaução que o medo do desconhecido recomenda, já vai pensado: e se não conseguirem, que fazer?  


Gritou, então,  baixinho, lá de longe, o surdo bombeiro: talvez esteja chegada a altura de irem ao cemitério local buscar os tais insubstituíveis que, consta,  por lá abundam em generosa porção. 

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