sábado, 18 de outubro de 2014

um dia, quem sabe!?

Um dia também gostava de ser um vigaristazinho em potência, um ditadorzeco vestido de artista (mesmo que em decadência), um trafulha daqueles que ficam com o dinheiros dos impostos de todos nós e se acham muito dignos, um mau filho, um pior pai, um coleccionador de engates, um supra-sumo do logro, em suma. E depois,  poder ir à televisão, a um daqueles programas excelentes para podermos fantasiar o ser supremo que não somos e assim sossegar a consciência e enganar mais uns quantos.

Quem sabe um dia não perco a maior riqueza que os meus me deixaram – a vergonha - e consigo fazê-lo.  

Já me imagino a ser apresentado: hoje, entre nós, para mais um dos nossos programas sobre alguém de quem mal nos informámos e  nada sabemos, caros telespectadores: o imperador Napoleão.

É degradante mas parece-me eficaz. 

Um dia, quem sabe?

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