Um dia também gostava de ser um
vigaristazinho em potência, um ditadorzeco vestido de artista (mesmo que em
decadência), um trafulha daqueles que ficam com o dinheiros dos impostos de
todos nós e se acham muito dignos, um mau filho, um pior pai, um coleccionador
de engates, um supra-sumo do logro, em suma. E depois, poder ir à televisão, a um daqueles programas excelentes
para podermos fantasiar o ser supremo que não somos e assim sossegar a
consciência e enganar mais uns quantos.
Quem sabe um dia não perco a maior
riqueza que os meus me deixaram – a vergonha - e consigo fazê-lo.
Já me imagino a ser apresentado: hoje, entre
nós, para mais um dos nossos programas sobre alguém de quem mal nos informámos
e nada sabemos, caros telespectadores: o
imperador Napoleão.
É degradante mas parece-me eficaz.
Um dia, quem sabe?
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