Apareça homem, apareça. Leva um
garrafão de azeite, dois queijos, uma garrafa de vinho, outra de whisky e ainda
meia dúzia de calendários para 2015. Vá lá! Fico à sua espera, não se esqueça. Faça-me
esse favor. Ah, é verdade, não venha de manhã cedo, que eu só chego depois das
onze. Vou dar as minhas passeatas, a pé, para desentorpecer os membros.
Bom, em verdade esta conversa (o monólogo, se quiserem) aconteceu há uns meses. Seis ou sete, acho eu. De lá para cá o azeite é bem capaz até
de ter ficado rançoso. Os queijos cheios de bolor. O vinho azedo. O whisky
evaporado. Só os calendários é que ainda se aproveitam. É, de facto, implacável
o efeito do tempo. Até a caridade perde o seu encanto.
Não sei que faça...
Acho que vou continuar a esquecer-me, reduzido à minha
dimensão de pobrezinho sem esmola. Não sei porquê mas algo me diz que até os
calendários são como os favores de deus. Não têm preço.
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