Tê-lo
conhecido só me trouxe coisas boas. Começou por me ensinar a bondade. Não
aquela de show off, que mais por aí se vê - qual exibicionismo no seu pior - mas sim a outra, calada, de quem não faz disso pose. Depois instruiu-me na moderação.
Ensinou-me a ser contido. Incutiu-me ainda outros hábitos tão distintos como
evitar as peles do frango, retirar as impurezas (e o queimado) por baixo de
cada pão (ou dos bolos) antes de o(s) comer. E, bem assim, a saber esperar pela
oportunidade de causar boa impressão, sem aquela espiral de ansiedade que a faz
parecer acaso e não desígnio. Mais tarde, ao dar um passo atrás com o qual me
cedeu a mim a ribalta que ocupava (e que sempre fez questão de me considerar
devida), ensinou-me a humanidade. O desapego por valores que destapam e revelam
a ausência de princípios. Então, ensinou-me a calar o
desvario da ambição e a viver na plenitude do bem. O resto é determinação
minha. Gasóleo que me corre mas veias, em vez de sangue, com que alimento as
incomodidades da mal contida raiva que as injustiças (e algumas pessoas com
défice de subtileza) me suscitam.
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