quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

é prácabar freguês!

Dos espaços comerciais onde habitualmente me desloco há um cuja proximidade do meu domicílio me faz visitá-lo mais vezes. Terá mais de 100 lojas, estou em crer. Dois pisos de estacionamento. Dois pisos de estabelecimentos. Um piso de restauração e afins. Nele, frequentemente me acontece, como hoje, deixar perdida a atenção na excessiva quantidade de espaços em remodelação. Não há corredor que os não tenha, por vezes, até confinando uns com os outros. São assim inúmeros os que por lá encontro encerrados.
Ora, não há vez nenhuma em que nisso repare, que não comente, com quem me acompanhe, que tais encerramentos, conjugados com a observação de que há muito pouca gente às compras, são um doloroso reflexo da crise económica que o país há muito atravessa.
Depois, com metade de mim imbuída no espírito compulsivo de que alguém terá de fazer alguma coisa (consumo de preferência) para que esta gente sobreviva, lá vou, de loja em loja, deixando o meu rasto de fidelidade consumista.
Mais tarde, nem vos digo quantos euros mais tarde, quando o meu lado de ‘voraz-comprador-de-tudo-o-que-não-me-faz-falta’ já se mostra saciado, disponho-me então a concluir, juntamente com o almoço num dos restaurantes locais, esta incursão de mecenas.
É então, enquanto como, estrategicamente sentado num dos muitos espaços comuns ali disponíveis, que reparo não haver praticamente nenhumas mesas livres. Mais, que muitos outros clientes, de tabuleiros cheios, fazem o circuito pelo meio das já ocupadas mesas, como a nossa, na expectativa de encontrar local onde possam sentar-se e almoçar.
Nisto, depois de em redor da zona que ocupo sumariamente ter contado mais de duzentas das ditas mesas, interrogo-me então para com os meus interlocutores: como é que isto pode estar tão cheio?
E, já depois do repasto, dos cafés e do lento percurso que me leva ao estacionamento onde deixara o carro, sublinho ainda mais a anterior interrogação: mas o que se passa aqui para isto ter ficado assim, subitamente tão congestionado?
Afinal, concluo, os indicadores da economia já não são o que eram. Mudem as lojas, as marcas ou os locais que ocupam, o que não muda mesmo é a avidez com que continuamos a deixar-nos seduzir pelo sofrimento cego a que nos leva a febre consumista e a suposta hipocrisia reinante dos saldos fim de estação. 
Vai daí, agora já ‘pacificado’ pelas ilusões de consumo a que me entreguei, eu pecador me confesso, convencido de que são os outros, não eu (eu nunca), quem sustenta esta enfermidade.


Puta de vida. 

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