Delírios à parte,
este gesto de aqui vir em palavras dá-me lustro aos sentimentos que nesta coisa
inevitavelmente se envolvem. Basta uma frase, meia dúzia de palavrinhas e o
gajo que aqui chegou já não é o mesmo que daqui sai. Dá-se um fenómeno.
Opera-se um milagre. E assim, se não escondo que tenho vivido aqui (na escrita)
momentos de intensa felicidade, coisa que, bem se vê, só sabe quem me é mais
íntimo que a sombra, também não iludo que
nem sempre é em estado de prazer que acaba
este palavroso deleite. Muitas das vezes, tolhido pela irremediável solidão que
o acto me proporciona, saio daqui a blasfemar o tempo despendido e a amarga
angústia de já não o poder reviver. Será que o teria emendado se pudesse? Pergunta de quem sabe ser bem capaz de não
gostar da resposta. Adiante. Adiante que se isto não é ser realista eu gostaria
que me dissessem o que é ser ilusionista. Enfim, fiquemos por aqui, que a vida,
por vezes, é mais complicada do que parece e eu ainda vou ter de ir ali fazer
umas corridinhas a ver se consigo queimar umas calorias e ganhar distância das
maleitas que me afligem. Ou, será que não é para alcançar a ambição de morrer-cheios-de-saúde
que correm todos os que lá encontro e comigo se cruzam? Querem ver!
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