domingo, 8 de fevereiro de 2015

ilusório realismo

Delírios à parte, este gesto de aqui vir em palavras dá-me lustro aos sentimentos que nesta coisa inevitavelmente se envolvem. Basta uma frase, meia dúzia de palavrinhas e o gajo que aqui chegou já não é o mesmo que daqui sai. Dá-se um fenómeno. Opera-se um milagre. E assim, se não escondo que tenho vivido aqui (na escrita) momentos de intensa felicidade, coisa que, bem se vê, só sabe quem me é mais íntimo que a sombra,  também não iludo que nem sempre é  em estado de prazer que acaba este palavroso deleite. Muitas das vezes, tolhido pela irremediável solidão que o acto me proporciona, saio daqui a blasfemar o tempo despendido e a amarga angústia de já não o poder reviver. Será que o teria emendado se pudesse?  Pergunta de quem sabe ser bem capaz de não gostar da resposta. Adiante. Adiante que se isto não é ser realista eu gostaria que me dissessem o que é ser ilusionista. Enfim, fiquemos por aqui, que a vida, por vezes, é mais complicada do que parece e eu ainda vou ter de ir ali fazer umas corridinhas a ver se consigo queimar umas calorias e ganhar distância das maleitas que me afligem. Ou, será que não é para alcançar a ambição de morrer-cheios-de-saúde que correm todos os que lá encontro e comigo se cruzam? Querem ver! 

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