Da vida e do curso que ela toma não tenho por
hábito queixar-me. Tomo-o por dádiva, chegue ele vestido com as suas melhores roupas ou na mais frágil e vazia nudez. No entanto, não nego, uma coisa me tira
do sério com a maior das facilidades. Pior até, ou mais ainda, do que as
maleitas que directamente me tolhem. Trata-se da saúde (mais do que o bem
estar) dos meus netos. Não há, conhecido que seja, nada que mais me aniquile a
vontade de acordar, ou de adormecer, do que saber que um deles, em lugar de
crescer saudável e robusto, padece de qualquer adoecimento. Torno-me no que de
pior a natureza humana é capaz de gerar. Ansioso, intolerante, irascível,
impiedoso. Sofro como só eu sei com o mal (seja ele qual for) que acontece às
indefesas criaturas. De tal sorte que, pudesse eu chamar a mim todos os seus
padecimentos e nem um só lhes ficaria por viver. Nem sequer a mais fria das
quentes febres.
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