O dia padrão contém tempo. Contém sol apanhado ali na
frente da janela mais exposta. Outras vezes abarca até à perdida imensidão do
mar e com ela todo o ar puro que possa existir.
No dia padrão cabem todos os pequenos prazeres a
que me permito, tal como o oxigénio da escrita, de que estas palavras fornecem
exemplo, ou o luxo da leitura. E fico-me apenas por estes dois, dos que tenho
por absolutamente imprescindíveis no meu modesto viver.
Ao dia padrão não falta nem o espírito de
desportista nem a quota de disponibilidade com que dou colo aos que mais amo.
Do dia padrão faz ainda parte a temeridade necessária para recusar fretes. Rejeitar a contrapartida
dos favores que criam dependência enquanto duram, e que deixam dívidas por
pagar depois que acabam.
Num dia padrão abro as portas quando o
sol nasce, fecho-as quando a noite cai. Muitas vezes, pelo meio, um colorido de
céu como não há igual. Onde até a paz das nuvens me basta para ser feliz.
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