Há na política um instante acima do talento democrático
dos seus melhores arautos, chama-se oportunidade. Com efeito, conclui-se que em
política não existem bons nem maus, já que, perante a oportunidade e de acordo
com as circunstâncias (ou a ocasião) todos revelam um poucochinho mais das suas
particularidades humanas e, por norma, ninguém desdenha a chance de poder vir a
enriquecer um bocadinho mais, mesmo que isso o torne tristemente desonesto. Em política, já se percebeu, a desonra não diminui. Sobretudo se aqueles que a alcançam só se mostrarem realmente incisivos (e combatentes) com a que lhes é alheia. Porém, em política a verdade nem sempre é a realidade. Há muitas (e várias) verdades. Afinal,
também aqui, nesta área, e na consumação dos interesses pessoais de cada um,
parece não haver nada que a água não lave. E com sorte alguém há-de ajudar a que não se saiba. Ou a esquecer, tanto faz.
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