Há uns dias que ando tentado a voltar a Virgínia Woolf. Àqueles diálogos em que me
desconcerta com o brilhantismo e concisão das suas ideias. O pior é que ela
pertence ao abrangente grupo das minhas preferências literárias pelas quais
depois de passar fico que tempos sem mão. Sem mão, sem dedos, sem pulso. Sem tudo.
São daquele género de autores que castram como tesouras afiadas. Lê-los é ficar
impotente. Um mês ou dois, pelo menos. Depois, só à custa de umas quantas
noites ali pelos bares de alterne da Duque de Loulé, com a ajuda (terapêutica,
bem se vê) dalgumas das meninas brasileiras mais competentes a ressuscitar
mortos, é que lá volto a conseguir que a imaginação me dê corpo e tom à
escrita. Ou isso ou uma valente ‘buba’ com vinho tinto marado, que é também
muito eficaz passado que esteja o período de etílica euforia e a correspondente
ressaca, de três dias.
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