Depois
de ter exercido uma profissão repleta de fantasmas bastaram-me uns meses nesta
ilha de silêncio e indiferença onde me refugiei, sem conviver com essa gente que
finge que não está a fingir, que entra e sai das nossas vidas em função das
suas precisões, especializados em relações (e só nessas) em que o retorno lhes
possa ser útil, para perceber quem possui realmente a importância que lhe dou (ou dei,
ou dava, deixo à escolha).
É assim, feliz (digo-o sem cultivar ressentimentos),
longe desse território de fronteira entre a lucidez e a ilusão, que eu hoje me
movo, apenas e só, no meio dos que comigo partilham mais do que pedem.
Claro que, aqueles
que por força desta alteração vão passar (muitos já passaram) a ter de bater a
outras portas, não devem estranhar quando perceberem que por estes lados se
fechou o caminho do oportunismo.
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