quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

matrona

Não o sabendo assumir nem lhe sendo suficiente o corpo disforme com que os antidepressivos a moldaram, ela insiste em exibir as fotos da sua já longínqua adolescência. Quase todas ao lado das 'vedetas' de que foi manager, ou algo assim, parecido com isso. Porém, agora, talvez esquecida que não há retorno para a beleza quando se torna feia, apela ao nosso esquecimento, vestindo nessas fotos desbotadas pela idade os números abaixo que a gordura não alargou.  E, certamente achando que não é pouco, quando fala da vida que vive, diz que tem curtido bué, que tem gramado umas cenas que tem controlado e que tem sido fixe atinar com o pessoal com quem tem fumado umas ganzas. É assim que passa o tempo, ignorando os seus agentes implacáveis, impante e rancorosa, evitando os ventos cuja direcção nunca soube interpretar.  

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