sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

da escassez de horizontes à rotina feita de plágios

Impressiona que nunca antes tanta gente tenha disposto de tais condições para, aqui chegados, formarem opinião e dela fazerem o melhor dos usos. No entanto, é o que se sabe. A realidade não muda. Ler é costume que se perdeu. Colectar informação é hábito que não se alcança. Pior mesmo só deixar perceber que fruindo deste ambiente que é a net, essa fonte de conhecimento (a leitura) tenha sido banida de tantas vidas. E, como se não bastasse tal tristeza, mais estranho ainda é concluir que isso não acanha a renovada condição dalguns palermas que por aqui andam, sem outra preocupação que não seja o comezinho copy paste (copiar e colar).

Ele é notícias, estudos, análises, pareceres, apreciações ou outros considerandos. Há de tudo por estas bandas, na mais acessível das disponibilidades. É só querer. Trazer ideias feitas não é mal que aqui não colha resolução. Consultar alguns dos que também por cá as emitem é, em regra, suficiente para que assim possamos validar as nossas. Testar-lhes a força. Submetê-las à dúvida ou ao engano. E feito isto, então sim, bem se poderá dizer: esta opinião advém de um registo de interesses que tomei por racional - este, aquele e aqueloutro.

Contudo, aquilo a que mais se assiste é precisamente o contrário. Num autismo desfasado a que não chamo indiferença nem eu sei bem porquê, quem aqui chega logo trata de dizer de si. Uns balbuciam umas ideias nascidas do seu ilustrado vazio. Outros, de tanto e tão desesperadamente quererem fazer parte desta nova realidade, limitam-se a impiedosos disparos de distanciada pontaria que pouco mais atingem do que a lama em que espezinham. A maioria copia e cola. Fá-lo sem rasgo. Sem nada acrescentar ao espaço que ocupa e assim consome. (Sim, eu sei que há quem diga que o plágio só é grave quando não melhora o produto copiado. Mas, que diabo, para tudo há limites. Não há?)

Nos tempos que correm aquilo que realmente impressiona é como a tantos escape que qualquer agitador (ou provocador, ou comentador ou seja lá o que queiram chamar-lhe) que se preze sempre deva propor alternativa, ao questionar aquilo que o indigna. Ou, sendo político, mesmo não sabendo do que fala, como depressa se percebe quando o fazem, não há como oferecer à evidência do desconhecimento uma boa pitada de esclarecida informação.

É que, abarcando todos estes interesses, já bem bastam as certezas que os estudos sociais nos põem na frente dos olhinhos. Dizem elas que estamos todos a ficar mais estúpidos, e mais sós, por causa dos computadores e da internet.


Oh que caraças! 

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