Impressiona que
nunca antes tanta gente tenha disposto de tais condições para, aqui chegados,
formarem opinião e dela fazerem o melhor dos usos. No entanto, é o que se sabe.
A realidade não muda. Ler é costume que se perdeu. Colectar informação é hábito
que não se alcança. Pior mesmo só deixar perceber que fruindo deste ambiente
que é a net, essa fonte de conhecimento (a leitura) tenha sido banida de tantas vidas.
E, como se não bastasse tal tristeza, mais estranho ainda é concluir que isso
não acanha a renovada condição dalguns
palermas que por aqui andam, sem outra preocupação que não seja o comezinho copy paste (copiar e colar).
Ele é
notícias, estudos, análises, pareceres, apreciações ou outros considerandos. Há
de tudo por estas bandas, na mais acessível das disponibilidades. É só querer. Trazer
ideias feitas não é mal que aqui não colha resolução. Consultar alguns dos que
também por cá as emitem é, em regra, suficiente para que assim possamos validar
as nossas. Testar-lhes a força. Submetê-las à dúvida ou ao engano. E feito
isto, então sim, bem se poderá dizer: esta opinião advém de um registo de interesses
que tomei por racional - este, aquele e aqueloutro.
Contudo, aquilo a que
mais se assiste é precisamente o contrário. Num autismo desfasado a que não
chamo indiferença nem eu sei bem porquê, quem aqui chega logo trata de dizer de
si. Uns balbuciam umas ideias nascidas do seu ilustrado vazio. Outros, de tanto
e tão desesperadamente quererem fazer parte desta nova realidade, limitam-se a
impiedosos disparos de distanciada pontaria que pouco mais atingem do que a
lama em que espezinham. A maioria copia e cola. Fá-lo sem rasgo. Sem nada
acrescentar ao espaço que ocupa e assim consome. (Sim, eu sei que há quem diga
que o plágio só é grave quando não melhora o produto copiado. Mas, que diabo, para
tudo há limites. Não há?)
Nos tempos que correm aquilo que realmente
impressiona é como a tantos escape que qualquer agitador (ou provocador, ou
comentador ou seja lá o que queiram chamar-lhe) que se preze sempre deva propor
alternativa, ao questionar aquilo que o indigna. Ou, sendo político, mesmo
não sabendo do que fala, como depressa se percebe quando o fazem, não há como
oferecer à evidência do desconhecimento uma boa pitada de esclarecida
informação.
É que, abarcando todos estes interesses, já bem
bastam as certezas que os estudos sociais nos põem na frente dos olhinhos.
Dizem elas que estamos todos a ficar mais estúpidos, e mais sós, por causa dos
computadores e da internet.
Oh que caraças!
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