Que mania esta da falsificação.
De querer disfarçar as nódoas fazendo tão triste figura. Que mania esta de
pensar que o alcanço quando, por breves instantes, o melhor que consigo é
iludir a fadiga. Sim, que quererei eu esconder quando mesmo em silêncio falam
por mim as palavras que aqui deixo numa berraria de ensurdecer? És capaz de me
dizer? Que espero eu destas horas e horas, lentas e arrastadas, em busca do meu
destino? Não me dizes? Quem me traz de volta o tempo que encurto aos prazeres
da vida e que mais e mais me aproxima do pequeno final que é a inutilidade da
morte? Já pensaste nisso?
E eu ali fiquei, naquilo,
a pensar, sem que nenhuma resposta me satisfizesse por inteiro. A confirmar nas
palavras que escrevo que este não é quem eu penso ser, não é quem eu queria que
fosse.
Afinal,
já não sei quem foi que disse, comprova-se, de facto, a semântica é como a cosmética, pode disfarçar um
problema mas não o trata.
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