Por vezes vem-me, não sei de onde,
uma vontade enorme de reparar alguns dos erros que a vida hoje me cobra.
Depois, percebendo que são tantos, desisto. Ideia mais parva que havia de ter,
fico então a pensar. Se há coisa que não se deva apagar do tempo, nem da
memória, os desacertos são uma delas. Nem que tenhamos que satisfazer com juros
a ousadia de os ter cometido. É que, bem vistas as coisas, de pouco nos serve o
paradoxo dessa ilusão, de que é possível viver sem sofrer. Não só porque não é,
diga-se o que se disser. Como ainda porque é para isso que vivemos.
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