Antes de aqui chegar passei ali pelos ‘ciberespaços’
de uns quantos ‘verbo-dotados’ que sigo diariamente. O que me vale é que encontro quase sempre, no soberbo de um deles (o do costume), a contenção, o comedimento, o apontar
cirúrgico, que o devido respeito pela palavra escrita impõe. Depois há os outros, três ou quatro,
que se vestem de variadas e garridas
cores literárias, mas que não se libertam do ‘mais-do-mesmo’ habitual. Mais
notoriedade, menos banalidade, encostados (ou não) às editoras que os promovem
(questões negociais), parecem sentir-se forçados a fazer prova de vida da
importância que não lhes dão. Sinto-me
ofendido, é claro. Usam naquilo um comportar que me ficaria bem a mim,
não a eles. Eu, que por mais que tente não me achego nem ao conceito de pobre imitador.
Fico surpreso de os ver assim, a gritar
alto a qualidade do que escrevem, fazendo-o somente para conseguirem um vago vislumbre de
visibilidade. Como se cumprissem uma obrigação. Um castigo. Se não deles, dos
que os leiam em tal desconcerto.
Faz-me pena vê-los ali, a desgastar horas, a consumir vulgaridades que não mereciam
mais que 5 minutos. Como diz a Agustina (Bessa
Luís), não basta ter talento, é preciso ter licença para isso.
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