domingo, 18 de maio de 2014

da megalomania à vulgaridade

Antes de aqui chegar passei ali pelos ‘ciberespaços’ de uns quantos ‘verbo-dotados’ que sigo diariamente. O  que me vale é que encontro quase sempre,  no soberbo de um deles (o do costume),  a contenção, o comedimento, o apontar cirúrgico, que o devido respeito pela palavra escrita  impõe. Depois há os outros, três ou quatro, que se vestem de variadas e  garridas cores literárias, mas que não se libertam do ‘mais-do-mesmo’ habitual. Mais notoriedade, menos banalidade, encostados (ou não) às editoras que os promovem (questões negociais), parecem sentir-se forçados a fazer prova de vida da importância que não lhes dão. Sinto-me  ofendido, é claro. Usam naquilo um comportar que me ficaria bem a mim, não a eles. Eu, que por mais que tente não me achego nem ao conceito de pobre imitador. Fico surpreso de os ver  assim, a gritar alto a qualidade do que escrevem,   fazendo-o somente para conseguirem um vago vislumbre de visibilidade. Como se cumprissem uma obrigação. Um castigo. Se não deles, dos que os leiam em tal desconcerto. 

Faz-me pena vê-los ali,  a desgastar  horas, a consumir vulgaridades que não mereciam mais que 5 minutos.  Como diz a Agustina (Bessa Luís), não basta ter talento, é preciso ter licença para isso. 

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