Perdoe-se-me o aparte irónico mas não sou lá grande espingarda em matéria
de sorrisos vazios. Eu bem procuro que não se notem, é certo, mas nem assim
consigo evitar que me saiam entre o fingido e a imitação. Especialmente quando
por razões que não interessa agora detalhar alguém faz questão de me oferecer
uma importância que não tenho. Esse, então, é um domínio em que o acto de
esconder não me garante nunca aquela circunstancial e esperada polida
elegância. Nem quando é fácil e me aguento, contido e direitinho, muito menos
quando é difícil e fico todo entrevadinho, incapaz de cínicos gestos de
delicadeza e agradecimento. É que, dívidas e dependências não as tenho, e, para
submissões já é tarde. O que tenho, e de sobra por sinal, é a tranquila certeza
de que cheguei a esta idade sem sonhos para alimentar ou ilusões por criar.
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