Sou um cliente fiel da tolerância.
Tenho gasto imensa ao longo da vida. Acho até que daí advém um estranho
mecanismo de compensação que, por portas e travessas, se tem encarregue de me
mostrar como podemos contemporizar com
as pessoas (certas pessoas, o número é reduzido) sem precisar de as enfrentar. É daí que
nasce toda a minha dificuldade em aceitar o despropósito com que tantas
vezes vejo gente a arremessar aos alvos errados. E, como se não bastasse a
péssima pontaria, custa-me vê-los deixar a nu as feridas do destempero com que
atacam pequenos desacertos da vida (uns profissionais, outros relacionais) ignorando
que o que ali estão a revelar é, apenas e só, a sua má formação. Essa gentinha, tão capaz de assim listar e arremeter
contra os defeitos (ou os erros, ou as
imperfeições) dos outros, é a mesma que crê estar escondida, por detrás dos sermões
que usa como se fossem leques de salão, a miséria existencial em que se esvai a
sua vida. Ainda senão houvesse por aí tanta (mas tanta) coisinha bem mais merecedora
dessas explosões de deslocada violência.
É por isso que a tolerância, mais do que uma atitude (um modo de estar) é um princípio
de vida.
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