sábado, 13 de dezembro de 2014

a culpa é da realidade

Desta janela aberta onde me debruço a espreitar o horizonte e a apreciar a paisagem das almas alheias que por aqui passam, tenho visto algumas sobre as quais me enganei quando um dia lhes dei aquilo que aqui (e agora) lhes retiro. O pior é que, de janela aberta, já se sabe, um espirro ou dois e aí está a minha rinite de volta. Nada me tem tanta fidelidade como esta puta desta doença  (risquei o puta, espero que tenham reparado. Foi um engano vernacular, queria ter dito teimosa).  E é assim, pingo no nariz, vista a chorar, o peito cheio de gatos, essas maçadas, que procuro (sem encontrar) a diferença entre amigo e oportunista, generosidade e expediente, lealdade e interesse. E pronto, já vi passar bodes expiatórios que cheguem, já tenho a culpa mais aliviada. Da rinite, bem se vê. 

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