Desta janela aberta onde
me debruço a espreitar o horizonte e a apreciar a paisagem das almas alheias
que por aqui passam, tenho visto algumas sobre as quais me enganei quando um dia
lhes dei aquilo que aqui (e agora) lhes retiro. O pior é que, de janela aberta,
já se sabe, um espirro ou dois e aí está a minha rinite de volta. Nada me tem
tanta fidelidade como esta puta desta doença (risquei o puta, espero que tenham reparado.
Foi um engano vernacular, queria ter dito teimosa). E é assim, pingo no nariz, vista a chorar, o
peito cheio de gatos, essas maçadas, que procuro (sem encontrar) a diferença
entre amigo e oportunista, generosidade e expediente, lealdade e interesse. E
pronto, já vi passar bodes expiatórios que cheguem, já tenho a culpa mais
aliviada. Da rinite, bem se vê.
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