É Natal. Mesmo que o não
fosse esta é uma altura do ano que faz de mim piegas. Como também Outubro e as
suas chovidas noites. Não raras vezes dou por mim, a meio de uma notícia na TV,
em plenos diálogos com os que amo (e o retribuem), por cima da prosa dos livros
de cabeceira, e eis que os olhos rasos de lágrimas. Então, dou ao esforço de as suster a prioridade do meu engolir. Uma ou outra imitação de tosse (ou catarro, nem sei) a subir, ou a descer, tanto faz. Um discreto esfregar
de olhos como quem os liberta do que neles entrou e ali não pertence. Enfim,
são inúmeros os truques de me socorro para disfarçar o que não sei se disfarço.
Depois, então, lá fico uns minutos a aquietar-me, de volta ao gelo emotivo
que acredito ser a linha de água do meu mediano sentir.
Ou seja, melhor dizendo o
que ficou por ser dito, à medida que me aproximo dos 60 estou (literalmente) a
tornar-me um coração de cera. Nada a fazer.
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